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Software Livre para construção de Redes Sociais

Orkut e Facebook tornaram-se verdadeiros fenômenos de audiência na Internet. Que tal embarcar nesta onda e criar sua própria rede social?

Usando ferramentas open source é possível construir uma rede social completa e customizada para sua empresa, organização ou grupo de amigos.

No PTI (Parque Tecnológico Itaipu) estamos iniciando um projeto piloto utilizando o Elgg, uma plataforma para redes sociais licenciada pela GPL e projetada para rodar em ambiente LAMP (Linux, Apache, MySQL e PHP).

O Elgg é um software bastante amigável, permite criar perfis, adicionar amigos, criar comunidades, blogs, compartilhar arquivos e muito mais. O usuário pode configurar as permissões de cada item publicado definindo se estará disponível para a Internet ou restrito aos usuários internos já autenticados.

A versão 1.2 do Elgg ainda não possui tradução para o Português, mas a penúltima versão está localizada para o idioma Português.

Além do Elgg, existem diversas opções de ferramentas livres com recursos similares:

O Elgg está sendo bastante utilizado na educação pois possui características que o tornam adequado para e-learning, incluindo grupos, comunidades e blogs que podem ser usados pelas turmas on-line. No Brasil a USP é um bom exemplo, utilizou o Elgg integrado ao MediaWiki para criar o ambiente STOA.

No PTI nosso objetivo é utilizar o Elgg para criar um espaço de interação entre os membros da comunidade PTI, onde as pessoas possam se comunicar, debater, compartilhar informações e publicar suas idéias.

Tanenbaum diz que computadores deveriam funcionar sem parar

A briga entre o criador do Minix Andrew S. Tanenbaum e Linus Torvalds é lendária.

Prof. Andrew S. Tanenbaum (Fonte: Linux Maganize)

Prof. Andrew S. Tanenbaum

Antes do Linux havia o Minix. Torvalds criou sua primeira versão do Linux em 1991 inspirado no sistema do professor Tanenbaum. Agora Tanenbaum escreveu um editorial para a Linux Magazine, sua opinião não mudou ao longo dos anos: o Linux (e o Windows) “não são confiáveis”.

Tanenbaum considera que a solução para os travamentos e indisponibilidade dos computadores é retirar código do kernel, no qual o dano pode ser máximo, e colocá-lo em processos no espaço do usuário, onde os bugs não conseguem causar falhas de sistema.

Ele fala do Minix3 que tem aproximadamente 5.000 linhas de código no kernel, acredita que sistemas baseados em microkernels podem levar a sistemas mais disponíveis, mas reconhece que essa abordagem apresenta a desvantagem de redução de desempenho.

Leitura interessante, veja o artigo completo no site da Linux Magazine:

http://linuxmagazine.uol.com.br/materia/tanenbaum_por_que_os_computadores_nao_funcionam_sem_parar

Localizando arquivos ocultos (iniciados por ponto)

No Linux, para listar apenas os arquivos de configuração do diretório atual podemos utilizar o comando find.

O comando a seguir exibe (de forma não recursiva) qualquer arquivo regular iniciado por ponto:

find . -maxdepth 1 -type f -name '.*'

Caso queira mostrar os arquivos ocultos mais os diretórios ocultos:

ls -d .*

Ubuntu popstar

Meu nome é Ubuntu, meu sobrenome é Linux. Muitos me amam, muitos me odeiam… mas ouçam: eu sou pop, sou popstar 😉

Por que o Ubuntu é tão popular? Quais os motivos?

A seguir compilei uma lista de fatores que podem ter contribuído para torná-lo este fenômeno de sucesso:

  1. Facilitar a vida das pessoas. É fato que a maioria dos seres humanos apenas desejam utilizar seus computadores e esperam que eles simplesmente funcionem sem grande esforço. Ubuntu foca na facilidade de uso, os usuários amam.
  2. Ser filho do bom e velho Debian GNU/Linux e ter nos seus genes o APT.
  3. Distribuir CDs de graça via Shipit.
  4. Sua distro tem 5 CDs de instalação? Hummn… Que tal apenas um CD contendo um seleto grupo de pacotes que atenda as necessidades da maioria dos usuários?
  5. Instalador amigável.
  6. No marketing, fazendo algumas combinações inteligentes pode-se alcançar resultados interessantes. Escolha um nome que soa estranho, desconhecido, misterioso… crie um tema cocô marrom que vai na contramão do blue/green/gray dominantes; adicione um website simples e funcional; adicione um rosto, um garoto propaganda porta-voz: Mark Shuttleworth – um cara rico, descolado, astronauta…
  7. Os investimentos da Canonical e seu foco em promover a ampla adoção do Ubuntu.
  8. Bons desenvolvedores (sim, muitos são pagos, recebem os seus caraminguás da Canonical)
  9. Comunidade: organizada, numerosa, ativa, apaixonada.
  10. Boa detecção de hardware.
  11. Enorme quantidade de pacotes nos repositórios.
  12. Quantidade de idiomas suportados e qualidade das traduções. Obrigado voluntários!
  13. O Launchpad. (o Mark afirmou que o código fonte do Launchpad será liberado no final de 2009)
  14. Tem “Adicionar/Remover programas”.
  15. Posso instalar o Ubuntu dentro do meu Windows?
  16. Pré-instalado em PCs (Dell).
  17. O processo para se tornar contribuidor/desenvolvedor é mais “soft” do que o de outras distros.
  18. Releases em datas pré-definidas (e os prazos normalmente são respeitados). Um release a cada 06 meses, que loucura.
  19. Entregar versões atualizadas dos melhores aplicativos livres.
  20. Abundante documentação, fóruns, tutoriais, dicas.
  21. A plataforma tem suporte profissional da Canonical (18 meses para os releases normais e 36 meses para LTS).
  22. Busca do equilíbrio entre ideologias versus o foco prático e objetivo de prover facilidades para o usuário (vide polêmicas nas decisões de inclusão de drivers não livres na distro e o jogo de cintura do Mark para tratar as brigas entre defensores do Gnome e KDE).
  23. Tornou-se sinônimo de maturidade do Linux no desktop.
  24. Blogueiros como eu e você falando sobre… Ubuntu.
  25. Crie excitação. Hype… faça as pessoas aguardarem ansiosamente a próxima versão que trará um estonteante novo tema, que dará boot em 7,59 segundos, que resolverá todos os seus problemas… falando nisso, quando posso instalar a próxima versão alpha do Jaunty?  😉

E você? por quê usa Ubuntu? Por que não Fedora, OpenSuse, Debian, Mandriva, Slackware?

10 anos de Software Livre

Dizem que recordar é viver…

Em 2008 completou 10 anos desde que comecei a utilizar Linux. Farei um relato de minhas experiências com o Software Livre.

Era 1998, mudança para Foz do Iguaçu-PR, calouro do curso de Ciência da Computação da UNIOESTE (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) fui apresentado – pelos veteranos – ao sistema do pinguim.

Debian

O Laboratório de Programação era dual boot (Win98 e Debian) e havia um detalhe: no Windows a Internet era bloqueada pelo admin, mas no Linux o pessoal descobriu uma forma de burlar o bloqueio e acessar a Internet. Acontece que toda vez que eu ia ao outro laboratório de acesso à Internet (que tinha só Win98) esse se encontrava lotado, então o jeito era voltar ao Laboratório de Programação,  acessar o Linux e abrir o Netscape… tive um bom incentivo para aprender a utilizar o Linux 😉

O Debian rodava em um “poderoso” Pentium 133 MHz. Gostei da console, me senti à vontade pois meu primeiro aprendizado de informática foi o MS-DOS. Lembro ter achado o máximo aprender a dar telnet em outro servidor e executar o ELM para ler meu e-mail. Alguém chegou a utilizar o ELM? ainda existe?

O ambiente gráfico era o Icewm, achei-o diferente do Janelas, tosco, feio mas usável. O browser era o Netscape, que na época arrasava a concorrência. Meus próximos passos foram:

  • Conhecer, estudar e admirar a filosofia do Software Livre;
  • Instalar o Debian no meu primeiro computador, um 486 DX4 100 MHz (computadores eram muito caros naquela época).

Aquele possante 486 tinha até memória RAM ECC. Deixei o sistema com dual boot pois necessitava executar o IDE da Borland (Turbo Pascal) no Win95 para desenvolver os programas que eram passados pelo mestre Jorge Habib. O Win95/98 era um verdadeiro fenômeno desastre de instabilidade, falta de segurança e má utilização dos recursos da máquina. Neste cenário achei o Debian e seu APT a sétima maravilha da computação.

A seguir um resumo do cenário existente nos idos de 1998:

  • Netscape anuncia que vai liberar o código fonte do seu navegador sob uma licença livre.
  • O Termo “Open Source” é criado nos EUA. Começa um maior esforço para promover o Linux para uso corporativo.
  • Informix e Oracle anunciam suporte ao Linux (Red Hat).
  • Surge o Google, que é baseado em Linux. Nessa época eu era fã do AltaVista.
  • IBM anuncia que distribuirá/suportará o Apache após um acordo com o time do Apache.
  • “Como muitos outros produtos gratuitos você consegue uma legião de seguidores, mesmo que essa legião seja pequena. Eu nunca ouvi qualquer cliente nosso mencionar algo sobre Linux” — Bill Gates, PC Week, 25 de junho de 1998.
  • “… esse sistema operacional não será utilizado largamente em aplicações comercias pelos próximos três anos, nem mesmo será suportado por desenvolvedores de aplicações” — Gartner Group informa que há poucas esperanças para o Software Livre.
  • Grande polêmica: memorando confidencial da Microsoft sobre a estratégia contra Linux e o Open Source vaza e chega às mãos de Eric Raymond que adiciona seus comentários e libera para a imprensa no fim de semana do Halloween. Por causa da repercussão a Microsoft é forçada a reconhecer a autenticidade do infame Documento do Halloween. Essa é a primeira vez que se ouve da própria Microsoft que o Linux representa grande competição.
  • Relatório do IDC diz que a adoção do Linux cresceu mais de 200% em 1998, e que seu market share cresceu mais do que 150%. Linux atinge 17% de market share e cresce a taxas não acompanhadas por nenhum outro sistema no mercado.

Nos idos de 1998/1999 assisti na universidade uma palestra ministrada pelo Sandro Nunes Henrique (fundador da Conectiva) e pensei: “Linux vai dar dinheiro, vou investir nele e trabalharei com Software Livre depois que terminar a graduação“.

A partir desta época passei a utilizar o Linux para programar e fazer os trabalhos da faculdade e também fui integrante do Grupo de Pesquisa em Redes de Computadores coordenado pelo prof. Antonio Marcos Hachisuca (Shiro).

Lembro que fiz um upgrade no meu PC e resolvi instalar o KDE no Debian. Na época era complicado fazer o KDE funcionar pois os desenvolvedores não facilitavam esta tarefa devido a uma briga que existia com o KDE: a biblioteca QT possuia licença considerada problemática pelo pessoal do Debian. Depois de algumas horas ver o KDE funcionando foi emocionante.

A partir de 2002 comecei a estudar o Linux mais seriamente. Foi através do Linux que realmente entendi o funcionamento de um sistema operacional; me aventurei a compilar o kernel, estudei Apache, syslog, Samba e em 2003 fiz meu primeiro firewall Iptables.

Em 2004, trabalhando no ITAI, participei na implantação do Projeto Software Livre da Itaipu Binacional. Uma das atividades foi montar uma solução de servidor LTSP e thin clients para os Telecentros que foram implantados no Brasil e no Paraguai. Também criamos uma distribuição Linux (live cd baseado no Knoppix).

Neste período estudei e implantei na Itaipu Binacional as ferramentas de monitoramento Cacti e Nagios e coordenei o desenvolvimento de um portal de Gerenciamento de Redes baseado na intregração de ferramentas de Software Livre. Esta foi uma fase de grande aprendizado e diversão junto com os colegas Carlos Eduardo Santiviago (sempre disposto a compartilhar seu conhecimento), Jackson Gobbo, Marcos Dellazari, Jaime Nelson Nascimento, Marcos Siríaco Martins e tantos outros.

Desta época também recordo das Installfest que realizamos, da criação da estrutura computacional do PTI (Parque Tecnológico Itaipu), da aprovação na Certificação LPIC-1 (Administrador Linux nível 1), do PSL Trinacional e do surgimento da primeira edição do evento Latinoware.

Em 2005 fui sócio fundador da Prognus Software Livre, empresa criada para suporte e desenvolvimento de soluções em Software Livre.

Em meados de 2006 deixei a Prognus e passei a integrar a Fundação Parque Tecnológico Itaipu, onde até hoje sou responsável pela administração da infra-estrutura de TIC do PTI (Parque Tecnológico Itaipu). No PTI temos:

  • 23 servidores com Debian GNU/Linux e 03 servidores com Suse Enterprise.
  • Cerca de 100 estações de trabalho com Ubuntu Linux (este número aumentará pois estamos em processo de migração).

Considero que desde 1998 o Linux passou por uma evolução fenomenal em qualidade, robustez e também em facilidade de uso. Hoje o Linux adentrou as portas das grandes corporações e grande parte dos negócios mais inovadores rodam em plataforma livre. Iniciativas como o Ubuntu contribuiram para levar o Linux a um número muito maior de usuários finais.

Resumidamente esta tem sido minha trajetória no mundo do Software Livre. Fique a vontade para comentar e também para compartilhar suas experiências relacionadas ao simpático sistema do pinguim 🙂

Vida longa ao Software Livre! Vida longa ao Linux!