Archive for November, 2008

Documentação da Infra-estrutura de Rede

A tarefa de documentar a infra-estrutura de rede é encarada muitas vezes como uma atividade burocrática e tediosa. Entretanto, a documentação é uma boa prática e contribui para melhorar o gerenciamento da rede e para que os profissionais sejam mais produtivos.

O ideal seria que a documentação fosse elaborada e atualizada automaticamente por alguma ferramenta. Caso isto não seja possível, inicie com uma documentação básica e vá incrementando até atender as suas necessidades.

No meu trabalho iniciei a documentação utilizando Openoffice e o software Dia para criar os diagramas (caso você conheça um Software Livre mais apropriado para desenho dos diagramas de topologia, favor compartilhe nos comentários).

Com o crescimento da rede o modelo de documentação inicial mostrou-se inviável. Procurei ferramentas mais adequadas e optei por implantar um wiki como respositório de documentação da rede e defini que cada membro da equipe DEVE registrar todas as alterações realizadas. Um wiki facilita a tarefa de realizar uma modificação e torná-la imediatamente disponível para toda a equipe.

Existem inúmeras ferramentas de wiki… Optei por utilizar o Trac, que possui um wiki básico integrado, recursos como controle de mudanças em projetos de desenvolvimento de software e também funciona como um brower do repositório Subversion.

O que documentar?
Não é simples elaborar e, principalmente, manter atualizada a documentação da rede. Os itens que compõe a documentação variam muito de acordo com a complexidade do ambiente de  rede e da metodologia de trabalho adotada.

A seguir sugestão de um modelo de documentação de rede contendo uma lista mínima de itens que, em minha opinião, deveriam constar em uma boa documentação de rede:

DOCUMENTAÇÃO DA INFRA-ESTRUTURA DE TI

Topologia de rede

  • Diagrama da topologia lógica
  • Diagrama de Vlans
  • Diagramas da topologia física
  • Estrutura da árvore LDAP (ou Active Directory, ser for o caso)
  • Topologia do Storage
  • Layout do datacenter e dos racks.

Ativos de rede

  • Roteadores (nome, IP, marca, modelo, localização)
  • Switches (nome, IP, marca, modelo, localização)
  • Firewalls (nome, IP, marca, modelo, localização)
  • Centrais telefônicas

Endereçamento IP e roteamento

  • Mapa de endereços IPs (Ex: classe C com IPs válidos da empresa)
  • Subredes utilizadas (endereço de rede, máscara, default gateway)
  • Esquema de roteamento

Internet

  • Qual o provedor do seu link Internet
  • Tecnologia utilizada (MPLS, Frame Relay)
  • Número de circuito, telefone de suporte, SLA
  • Lista dos domínios que sua empresa registrou e qual a data de expiração
  • Servidores DNS e registros DNS existentes (A, Mx, etc)

Documentação dos servidores

  • Nome do servidor, IP, Finalidade, SO instalado
  • Informações de hardware do servidor (processador, memória, disco, partições)
  • Serviços instalados
  • Documentação da instalação

Políticas e procedimentos

  • Política de Segurança
  • Checklist de instalação de servidores
  • Padrões para criação de contas de usuários e grupos
  • Padrões de nomenclatura para equipamentos de rede e servidores

Lista dos serviços críticos

Softwares adquiridos

  • Número de licenças, versões
  • Modalidade de licenciamento

Hardware adquirido

  • Marca, modelo, especificações
  • Data de aquisição
  • Detalhes de garantia

Imagens de instalação dos PCs (Ex: local onde baixar as imagens criadas com G4L)

Scripts base de configuração dos switches

Telefones de contato

  • 0800 do fornecedor do link Internet
  • Telefones dos prestadores de serviços e fornecedores
  • Telefones para acionar a garantia de equipamentos

Além do wiki, agregamos informações da infra nos softwares de monitoramento Nagios e Cacti. No Nagios, todos os servidores são monitorados e para cada servidor foi adicionado link apontando para a sua respectiva página de documentação no wiki.

Não esqueça de definir uma Política de Atualização da documentação para que esta não se torne desatualizada e inútil. Liste quem são os responsáveis pela atualização, periodicidade mínima de revisão e padrões que devem ser utilizados.

Em caso de falhas em serviços críticos, as informações de configuração contidas no repositório podem ajudar a minimizar o tempo de recuperação destes serviços.

Conscientize sua equipe sobre a importância da documentação e com o passar do tempo o wiki da rede se tornará um verdadeiro repositório de informações sobre o ambiente de TI.

Caso algum profissional deixe a empresa o conhecimento acumulado estará registrado nessa base de conhecimento e a tarefa de treinar um novo profissional será bem mais fácil, economizando tempo e dinheiro.

E você? utiliza quais ferramentas e metodologias para manter a documentação da sua rede?

Sua sugestão é bem vinda!

UPDATE: Publiquei um novo artigo onde disponibilizo para download um modelo de documentação de Infra de Rede.

Ubuntu popstar

Meu nome é Ubuntu, meu sobrenome é Linux. Muitos me amam, muitos me odeiam… mas ouçam: eu sou pop, sou popstar 😉

Por que o Ubuntu é tão popular? Quais os motivos?

A seguir compilei uma lista de fatores que podem ter contribuído para torná-lo este fenômeno de sucesso:

  1. Facilitar a vida das pessoas. É fato que a maioria dos seres humanos apenas desejam utilizar seus computadores e esperam que eles simplesmente funcionem sem grande esforço. Ubuntu foca na facilidade de uso, os usuários amam.
  2. Ser filho do bom e velho Debian GNU/Linux e ter nos seus genes o APT.
  3. Distribuir CDs de graça via Shipit.
  4. Sua distro tem 5 CDs de instalação? Hummn… Que tal apenas um CD contendo um seleto grupo de pacotes que atenda as necessidades da maioria dos usuários?
  5. Instalador amigável.
  6. No marketing, fazendo algumas combinações inteligentes pode-se alcançar resultados interessantes. Escolha um nome que soa estranho, desconhecido, misterioso… crie um tema cocô marrom que vai na contramão do blue/green/gray dominantes; adicione um website simples e funcional; adicione um rosto, um garoto propaganda porta-voz: Mark Shuttleworth – um cara rico, descolado, astronauta…
  7. Os investimentos da Canonical e seu foco em promover a ampla adoção do Ubuntu.
  8. Bons desenvolvedores (sim, muitos são pagos, recebem os seus caraminguás da Canonical)
  9. Comunidade: organizada, numerosa, ativa, apaixonada.
  10. Boa detecção de hardware.
  11. Enorme quantidade de pacotes nos repositórios.
  12. Quantidade de idiomas suportados e qualidade das traduções. Obrigado voluntários!
  13. O Launchpad. (o Mark afirmou que o código fonte do Launchpad será liberado no final de 2009)
  14. Tem “Adicionar/Remover programas”.
  15. Posso instalar o Ubuntu dentro do meu Windows?
  16. Pré-instalado em PCs (Dell).
  17. O processo para se tornar contribuidor/desenvolvedor é mais “soft” do que o de outras distros.
  18. Releases em datas pré-definidas (e os prazos normalmente são respeitados). Um release a cada 06 meses, que loucura.
  19. Entregar versões atualizadas dos melhores aplicativos livres.
  20. Abundante documentação, fóruns, tutoriais, dicas.
  21. A plataforma tem suporte profissional da Canonical (18 meses para os releases normais e 36 meses para LTS).
  22. Busca do equilíbrio entre ideologias versus o foco prático e objetivo de prover facilidades para o usuário (vide polêmicas nas decisões de inclusão de drivers não livres na distro e o jogo de cintura do Mark para tratar as brigas entre defensores do Gnome e KDE).
  23. Tornou-se sinônimo de maturidade do Linux no desktop.
  24. Blogueiros como eu e você falando sobre… Ubuntu.
  25. Crie excitação. Hype… faça as pessoas aguardarem ansiosamente a próxima versão que trará um estonteante novo tema, que dará boot em 7,59 segundos, que resolverá todos os seus problemas… falando nisso, quando posso instalar a próxima versão alpha do Jaunty?  😉

E você? por quê usa Ubuntu? Por que não Fedora, OpenSuse, Debian, Mandriva, Slackware?

Palestra do criador do WordPress no Latinoware 2008

Assisti no Latinoware 2008 a palestra “High Performance WordPress” ministrada pelo Matt Mullenweg.

Matt Mullenweg (fonte: site Latinoware)

Matt (foto: site Latinoware)

Inicialmente apresentou números impressionantes do wordpress.com (usuáros, page views, uso de banda).

Resumo dos tópicos que ele citou relativos à construção de uma infra-estrutura WP de alta performance:

  • Ativar WP cache;
  • Para suportar crescimento usar um cache de arquivos estáticos e imagens. Considerações sobre performance:
  1. Bom: utilizar servidor web Nginx;
  2. OK: utilizar Amazon S3;
  3. Melhor ainda: utilizar CDN (Content Delivery Network) – Panther.
  • Caso seu servidor não esteja mais suportando a carga do blog utilize 02 máquinas distintas e separe o servidor web do servidor de banco de dados;
  • Para melhorar ainda mais a performance: coloque mais máquinas adicionando múltiplos servidores web + Nginx.
  • Se ainda assim não suportar, amplie a solução adicionando múltiplos servidores de banco de dados + HyperDB;
  • Use mencache. Também falou de Batcache: dynamic output cache.

Matt fez a seguinte pergunta: – E para o seu blog? e respondeu-a com dicas para melhorar a performance:

  1. Atualizar o WordPress para a última versão pois foram implementadas inúmeras melhorias no quesito performance;
  2. Ativar plugin WP Super Cache (melhor que o WP cache);
  3. Otimizar CSS, imagens e Javascript. Criticou blogs que chegam a ativar 10 widgets causando grande queda na performance;

Quando foi aberto espaço para discussão eu fiz ao Matt uma pergunta: – Como ele ganha dinheiro se o wordpress.com hospeda os blogs de graça e qual o modelo de negócios da Automattic?

Ele disse que o WP já existia antes da Automattic e quando a empresa foi criada ele se preocupou muito em não “estragar” a comunidade existente  (citou o caso do Mysql que focou muito na parte empresarial e perdeu muito o envolvimento com a comunidade). Disse que buscou um equilíbrio, capaz de suprir as necessidades da empresa e os interesses da comunidade e destacou que tudo que a Automattic faz é liberado sob a licença GPL. Hoje a Automattic tem cerca de 37 funcionários dedicados e a empresa é lucrativa.

Fórmulas usadas para rentabilizar o negócio:

  • Serviço de Vip Hosting: por cerca de 600 dólares mensais para hospedagem. Disse que no caso de um blog talvez não fosse lucrativo, mas a partir do momento que empresas como a CNN chegam a hospedar mais de 50 blogs usando o serviço gera uma receita significativa.
  • Upgrade premium: por cerca de 15 dólares é possível obter espaço extra para o blog e deixar o blog livre dos anúncios publicitários.
  • Publicidade: acordo de publicidade com Google e Apple. Salientou que procuram não poluir as páginas do serviço com publicidade, ainda é baixo o número de páginas que exibem anúncios.
  • Akismet é vendido para uso empresarial (é grátis para uso pessoal).

Questionado por um participante sobre o fato de pessoas estarem lucrando com o WP através do desenvolvendo plugins, temas e prestação de serviços, respondeu que “Luta pelo aperfeiçoamento da plataforma de conteúdo e pelo sucesso do negócio em todo o mundo. Desde que as pessoas disponibilizem o código fonte dos produtos que desenvolveram”.

Segundo ele, muitos aderem aos programas desenvovidos pela WordPress para entrar no mercado e salientou que isso é importante para democratizar o conhecimento tecnológico, podendo inclusive gerar emprego e renda com boas perspectivas para muita gente (como os estudantes presentes na palestra). Na opinião de Matt, estas iniciativas são válidas.

Matt falou sobre a nova versão do WordPress, inclusive mostrou um screenshot da nova versão 2.7 e disse que provavelmente será lançada a partir do dia 10 de novembro. Dentre as novidades:

  • Novo layout mais limpo, com menus à esquerda;
  • Blogueiro pode responder os comentários diretamente do WP não precisando mais responder através do blog;
  • Falou sobre tornar o WP “invisível”, como se fosse em background, a idéia e deixar a plataforma tão amigável e otimizá-la de forma que a pessoa nem saiba que está usando o WordPress mas que apenas se preocupe com o seu blog, com o seu conteúdo. Sábio pensamento este…

Foi uma excelente palestra onde ele demonstrou paixão e dedicação pelo WordPress e pelo Software Livre.